Em 24 de março, foi realizado o I Workshop de Restauração Capilar em Belém do Pará, coordenado pelo Dr. Alonso Aymoré.  O evento – destinado a jovens médicos, especializados em Cirurgia Plástica e Dermatologia, com interesse em ingressar na restauração da calvície – contou com a presença de renomados professores e profissionais da área.

 

Confira a seguir as impressões do Dr. Alonso Aymoré, Dr. Mauro Speranzini, presidente da ABCRC, organizadora do evento, e do Dr. Luiz Pimentel.

“Comentei no Workshop que as pessoas jovens imaginam seu futuro, suas oportunidades, profissão, ter uma casa, companheiro(a), filhos, netos, amigos. Quando chegamos a uma idade mais avançada e já alcançamos esses objetivos, procuramos traçar metas.

Desde 2017, combalido por grave enfermidade, procurei a ABCRC, na pessoa de seu presidente Mauro Speranzini, nosso amigo de longa data em congressos e estágios no Brasil e exterior, e conversamos sobre a possibilidade de fazer um evento em Belém para estimular colegas locais e da região a aprenderem sobre restauração capilar no sentido mais amplo possível.

O pleito foi debatido, analisado e aceito pela Diretoria. Feito isso, iniciamos contatos com colegas que poderiam participar. Para minha alegria, a aceitação foi muito expressiva e os que não podiam vir por compromissos vários, mandavam-me mensagens lamentando. Tudo isso me tocou profundamente o coração.

Graças ao trabalho de toda a diretoria, secretaria executiva, com a incansável Natália, conseguimos reunir na minha terrinha, Belém do Pará, um número expressivo de colegas palestrantes do mais alto nível e inscrições acima da expectativa.

Nem mesmo um blackout temporário devido à chuva impediu a conclusão da grade científica, com a participação até o final de todos.

Isso me deixou mais feliz ainda, afinal o meu objetivo era exatamente deixar um caminho novo aos colegas da região.

A parte gastronômica, com a ativação excessiva das glândulas salivares, só faltou “babador” para colocar no pescoço dos colegas visitantes, com muito filhote, tucupi, maniçoba e açaí.

Esse último – açaí – tem até uma música – carimbó – que diz: “Quem foi ao Pará, não parou tomou açaí e ficou”.

Sei que a presença física é impossível, mas todos estão presos nas cordoalhas tendinosas do meu coração. Desculpem não nominar a todos os presentes ou ausentes. De qualquer forma, sucesso é a palavra correta para o evento!

Muito obrigado, queridos amigos.”

Alonso Aymoré
Coordenador Local

“… Viver, e não ter a vergonha de ser feliz.
Cantar (e cantar e cantar) a beleza de ser um eterno aprendiz
Ah, meu Deus, eu sei, eu sei, eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita”

 


 

“Meus amigos,

Dr. Alonso Aymoré nos convocou e conseguimos, com sucesso, levar para Belém doze guerreiros com a bravura dos Aimorés. Sob a batuta eficiente de Natália Plenamente, os obstáculos sequer foram notados pelos participantes.

Dr. Pimentel nos brindou com emocionante relato da importância do nosso anfitrião, tanto na cirurgia plástica quanto na cirurgia capilar. A Diretoria compareceu em peso. Tivemos dois representantes comerciais vendendo instrumentos cirúrgicos. Foram mais de vinte inscritos, superando todas as previsões. Um coffee break único, com os quitutes da cozinha local. Sobrevivemos a dois blackouts e sob o calor úmido paraense duas aulas foram dadas na tela de um minúsculo laptop. Apesar das dificuldades, cumprimos o programa e saímos com a certeza de alcançar nossos objetivos.

Dr. Aymoré plantou a semente que há de germinar e despertar naqueles jovens cirurgiões e dermatologistas o interesse na cirurgia capilar, ocupando assim um espaço que pessoas despreparadas podem ocupar. Esperamos que este evento tenha sido um convite para que mais colegas se associem à ABCRC, fortalecendo ainda mais nossa associação.

Almoço e jantar foram memoráveis, em restaurantes maravilhosos, com muito filhote, açaí, tucupi e outras maravilhas paraenses. Não podia faltar a cachaça com jambu, com seu rótulo personalizado, que Aymoré brindou a todos professores. Sequer esqueceu-se daqueles que, impossibilitados de comparecer, fizeram questão de enviar suas aulas para prestigiar nosso evento.

Não foi apenas mais um workshop. “Inesquecível” foi a palavra mais ouvida entre os participantes.

Agradeço a todos pela dedicação que tiveram e fizeram deste evento algo que será sempre lembrado. Parabéns, Alonso Pena Aymoré!”

Mauro Speranzini
Presidente da ABCRC

 


 

“Meus amigos, é uma grande honra ser o portador de uma homenagem ao nosso querido colega Alonso Aymoré, que é dono de um nome forte, Aymoré, nome de guerreiro.

Os Aimorés eram cerca de 30.000 índios que habitavam o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo no século XVI, mas mantiveram seu grande território até perto do século 20. Os índios de língua Tupi chamavam por esse nome aqueles índios muito altos, fortes e grandes guerreiros. Eles, entretanto, não falavam Tupi. Falavam um estranha língua chamada Borun, eram nômades e viviam da caça. Em 1576, o escritor português Pero de Magalhães de Gândavo os descreveu tão altos e largos que pareciam gigantes. Estes gigantes nunca foram escravizados pelos colonizadores e lutaram mais de cem anos, de 1555 a 1673, vencendo a guerra que ficou em nossa história com a Guerra dos Aimorés e destruindo as feitorias dos Bandeirantes.

Portanto, colegas, quem herdou um nome desses, legitimamente brasileiro, tem o sangue para lutar e vencer, como nosso Alonso.

Em plena segunda guerra, o bancário Janin Barriga Aymoré e a comerciária Déa Penna Aymoré, aqui em Belém, deram à luz, com grande alegria a seu filho único ALONSO PENA AYMORÉ.

Nosso anfitrião é casado com Maria João de Sá Ribeiro, que virou uma Aymoré e lhe deu três filhos: Denise, Alonso e Débora. E estes continuaram a família Aymoré com os quatro netos Victor, Amanda, Beatriz e mais um Alonso. Portanto, temos três Alonsos e um montão de Aymorés nessa linda família.

Nosso colega formou-se em Medicina no mesmo 1969 em que me formei, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará. Em 1970, recém-formado, foi, como eu também, Oficial Médico da Marinha por apenas um ano. E ainda assim não nos conhecíamos, mas traçávamos percursos iguais até chegar à Cirurgia Plástica. O destino foi levando finalmente o Alonso mais pra perto de mim. Ele foi fazer Residência no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital dos Servidores do Estado no Rio de Janeiro, de 1971 a 1973.

Nos conhecemos apenas em 1973, embora frequentássemos como Aspirantes os eventos da SBCP. Fizemos um concurso federal para o Hospital dos Servidores, nos encontramos nas provas escrita e oral e, entre muitos, se não me engano, passaram sete para a prova prática, todos aprovados. Alonso foi um dos dois primeiros classificados e ocupou uma das duas únicas vagas. Eu, nessa época chefiava a Plástica do recém-inaugurado Hospital da PM em Niteroi, já tinha um título de aprovação em concurso público da especialidade, fiz o concurso do HSE para obter um título federal, o que foi também importante para titular da SBCP.

Naquele que era, à época, talvez o melhor Hospital Federal do Rio de Janeiro, Alonso teve a oportunidade de ajudar como primeiro auxiliar o Dr. José Juri, cirurgião argentino pioneiro de técnicas de transposição de retalhos para tratamento de calvície. Somente três anos após essas cirurgias no HSE, as técnicas de Juri foram publicadas. Alonso chegou a operar dois casos no HSE com o retalho parieto-occipital, mas, como eu também, abandonou os retalhos pela falta de naturalidade frontal e possibilidade de complicações.

Alonso assumiu em 1974 seu cargo no staff do Serviço de Plástica do HSE, onde trabalhou até 1976, quando retornou ao Pará. De volta a Belém, iniciou novo ciclo de trabalho, agora na Enfermaria São Miguel da Santa Casa da Misericórdia do Pará. Aí atendeu e operou muitos pacientes fissurados, queimados, traumatizados e também escalpelados, adquirindo a grande experiência que todos admiramos.

Passou a membro do corpo clínico do Hospital Adventista de Belém e do Hospital Amazônia, da Associação Nipo-Brasileira da Amazônia.

Paralelamente, ainda em 1976, abriu seu consultório particular.

Dr. Alonso Aymoré, desde 1989, quando foi aprovado como Titular da SBCP em Blumenau, Santa Catarina, sempre tem tido participação efetiva nos congressos nacionais e internacionais de cirurgia plástica, nunca deixando de mostrar sua vasta experiência na cirurgia plástica com seus trabalhos. Muito deles, eu sou testemunha, na restauração capilar e na difícil reparação dos graves defeitos por avulsão de couro cabeludo.

Desde quando a moderna cirurgia da calvície despontou com  transplantes de unidades foliculares, nosso querido Alonso esteve com Dr. Carlos Uebel  em Porto Alegre/RS, com quem aprendeu a técnica do micro e mini transplantes em 1989.

Dois anos depois, visitou os Drs. José Cândido Muricy e Maria Angélica Muricy Sanseverino em Curitiba/PR para prática nas megassessões de UFs.

Foi observador visitante dos colegas Fernando Basto em Recife/PE; Mauro Speranzini em São Paulo/SP; Alfonso Barrera em Houston/Texas – USA; e William (Bill) Parsley em Louisville/Kentucky – USA.

Em 2003, Dr. Alonso Aymoré foi admitido como membro da ISHRS – International Society of Hair Restoration Surgery por indicação dos Drs. Marcelo Gandelman e Carlos Uebel.

Foi citado pelo presidente Bill Parsley, na Revista Forum da ISHRS, como inventor do contador digital de UFs.

Atualmente, há mais de 15 anos, dedica-se somente ao TC e é membro emérito da ISHRS, membro da ISAPS, da SBCP e membro ativo da nossa ABCRC.

Apresentou por várias vezes trabalhos sobre reconstrução de sobrancelhas em escalpelados, devido a frequentes acidentes aqui na região amazônica. Fez um pequeno poema em homenagem a essas pacientes que, a pedido do Dr. Henrique Radwanski, redijo abaixo:

 

Ontem, o sopro da vida
Depois, o início dos sonhos
Amanhã, a dor da tragédia
Um dia, o amparo de uma mão
Sempre um sorriso
O retorno da esperança

 

Nosso querido Alonso está muito feliz e emocionado com a presença de todos e quer prestar uma singela homenagem a todos os colegas presentes, na pessoa do atual presidente da ABCRC, Dr. Mauro Speranzini.”

Luiz Alberto Soares Pimentel