Nos dias 1º e 2 de outubro, será realizado em Polanica-Zdrój, na Polônia, o World Live Surgery Workshop: FUE Immersion. Em seguida, de 4 a 7, Praga, na República Checa, receberá o 25th World Congress, eventos organizados pela International Society of Hair Restoration Surgery (ISHRS).

O vice-presidente da ABCRC, Dr. Arthur Tykocinski, é presidente do Workshop e, com outros talentos brasileiros, está também envolvido no Congresso. Confira sua impressão e expectativa sobre os eventos.

Como presidente do World Live Surgery Workshop, o que o sr. pode adiantar sobre o evento?

Será um evento com características únicas; imaginamos que será fantástico. Primeiro porque é um grande Workshop antes de um Congresso mundial de transplante de cabelo, algo que nunca ocorreu. Segundo porque é dedicado exclusivamente à técnica FUE, o que também é uma inovação dentro da ISHRS. Por fim, haverá cerca de 37 palestrantes e uma perspectiva de todas as técnicas da FUE serão abordadas neste evento. Teremos dez demonstrações cirúrgicas ao vivo, sendo cinco no primeiro dia e cinco no segundo, incluindo a cirurgia robótica. Além disso, faremos um trabalho comparando as diversas técnicas utilizadas na FUE e avaliando – de forma inédita – a qualidade dos folículos retirados com diversos instrumentos e identificando quais são os mais seguros para o cabelo retirado.

O sr. poderia ressaltar cirurgias, procedimentos e nomes dos profissionais que os conduzirão?

Em nosso amplo painel, haverá demonstração de várias técnicas cirúrgicas, cobrindo todas as técnicas e equipamentos utilizados no transplante capilar. Será proporcionada uma visão completa da ciência do transplante capilar FUE na atualidade.

Por exemplo, no punch cortante/manual teremos o trio de belgas: Patrick Mwamba, Christian N. Bisanga e Emorane C. Lupanzula. No punch motorizado/cortante, teremos o suíço Conradin von Albertini e o brasileiro Mauro Speranzinni. Na cirurgia robótica, o Craig L. Ziering. No punch sem corte, James A. Harris e, no punch híbrido, o inventor Jean M. Devroye, Maria Angélica Muricy e eu, Arthur Tykocinski.

Profissionais brasileiros estão amplamente envolvidos nos eventos da Polônia e de Praga. Como o sr. avalia as condutas e procedimentos brasileiros quando comparados aos do mundo?

Os brasileiros estão muito preponderantes no cenário internacional do transplante capilar, ficando atrás apenas dos americanos. Sempre tivemos uma boa tradição na cirurgia cosmética e na cirurgia de uma maneira geral, então isso não é novidade. Mas essa invasão brasileira na sociedade internacional, com demonstração técnica apurada e com grande repercussão internacional, mostra o estado da arte do transplante capilar brasileiro.

Em relação ao 25th World Congress, o que o sr. pode falar? O que os participantes podem esperar?

O 25th World Congress será o jubileu de prata, marcará os 25 anos da ISHRS e vai começar de forma retumbante com uma sessão de uma hora dedicada exclusivamente aos ecos do Workshop de Polanica-Zdrój, com uma sessão de vídeos e apresentação dos trabalhos científicos ali realizados. Terá um apanhado de tudo na programação: técnica FUT, técnica FUE, área doadora, desenhos, avanços na biologia capilar, enfim, tudo o que se pode esperar de um congresso mundial. Esse congresso está sendo muito bem montado pelo Jean M. Devroye, um médico muito experiente na área.

Como tesoureiro da ISHRS, como o sr. avalia a atuação da entidade?

Posso dizer que ela está em uma situação bastante segura, com as finanças bem sólidas – embora nunca possamos fechar os olhos, porque uma sociedade deste porte tem uma série de iniciativas e um orçamento anual altíssimo. Não é fácil bater todas as despesas com os eventos proporcionados, mas, felizmente, está tudo indo muito bem.

O que o sr. acredita que seja o futuro da restauração capilar?

Acho que o futuro vai depender do presente, porque hoje nós vemos nossa especialidade ameaçada, de certa forma, por grupos médicos que visam apenas o lucro. E até pior, grupos de transplante de cabelo em que nem médico existe, a exemplo do que ocorre na Turquia. O problema da Turquia, do turismo médico com pessoas da Europa, do Brasil e do mundo inteiro viajando para fazer cirurgias baratas em clínicas em que não existem médicos é dramático e revela o lado frágil e ganancioso da medicina. O combate ferrenho que a ISHRS e a ABCRC têm feito contra essas práticas totalmente reprováveis mostra o empenho de todos. Mas é o sucesso dessa nossa luta contra esse modelo de negócio e a valorização do cirurgião capilar que dirá o que vai acontecer no transplante capilar nos próximos anos.