Finasterida é um medicamento administrado por via oral que reduz a quantidade do hormônio dihidrotestosterona (DHT) no organismo. Em pessoas com tendência genética à calvície, o DHT penetra nas células do folículo piloso e modifica seu funcionamento, alterando o ciclo de crescimento dos cabelos e provendo a miniaturização, nome pelo qual é conhecido o processo de perda de cabelo. Clique aqui para saber mais sobre a Miniaturização.

A Finasterida pode ser obtida sob receita médica em farmácias, com o nome comercial de Propecia © (Laboratórios Merck) na concentração de 1mg por comprimido, ou também sob receita em farmácias de manipulação. É recomendada para pacientes masculinos, mas estudos recentes têm mostrado bons resultados também em pacientes femininos em determinadas circunstâncias.

Atuação e estudos clínicos

Atualmente é a principal droga indicada para o controle da miniaturização dos cabelos das áreas com predisposição genética à calvície nos homens. Deve ser administrado oralmente na dose de 1mg ao dia. É um inibidor competitivo intracelular da enzima 5 alfa reductase tipo II, reduzindo a transformação da testosterona em um mais potente metabólito, a dihidrotestosterona. Não há afinidade da droga pelo receptor do andrógeno, portanto não interfere nas ações da testosterona.

A Finasterida reduz rapidamente os níveis circulatórios e cutâneos da DHT em mais de 60%. Os estudos demonstram que o número total de fios que responderão ao tratamento é estabelecido em 1 ano., e que a continuidade da terapia estimula estes fios a se tornarem mais fortes, com maior diâmetro e mais pigmentados, melhorando a cobertura da região calva. Um estudo com 1553 homens entre 18 e 41 anos de idade, que foram tratados com Finasterida 1mg/dia versus placebo, mostraram redução da progressão da calvície e um aumento do crescimento dos fios.

Uma melhora também foi observada em um estudo estendido de 1215 homens. Estes pacientes foram acompanhados por 5 anos, com o objetivo de se verificar a segurança a longo prazo e a eficácia do uso da droga. Neste período a estatística é significante e a melhora sobre o placebo foi observada. Somente 0.3% dos pacientes reportaram diminuição do libido ou disfunção erétil, em 5 anos de uso da medicação. A média dos níveis da Finasterida no sêmen foi de 0,26ng/ml e o nível máximo foi de 1,52ng/ml, bem abaixo do risco necessário para produção de anormalidades congênitas fetais. Nenhum outro efeito colateral ou interação medicamentosa foi reportada.

Outro estudo duplo-cego, randomizado com placebo realizado em 424 homens de 41 a 60 anos por um período de 24 meses demonstrou melhora do aspecto global da calvície, demonstrado por fotografia, nos candidatos que usaram a Finasterida. Os efeitos colaterais citados foram maiores nesta faixa etária atingindo 8,7% versus 5,1% do grupo controle, sendo mais expressivos na faixa dos 51 aos 60 anos comparado à faixa dos 41 aos 50 anos.

É sabido que a Finasterida reduz os níveis séricos do PSA (antígeno prostático específico) em 30 a 50%. Por isto, nos homens de mais de 40 anos, é aconselhável sempre pedir este exame antes de se iniciar o tratamento, e no seguimento, considerar o dobro do valor registrado no laudo do laboratório, para compensar o efeito da droga.

A administração de 1mg ao dia é segura e bem tolerada. A metabolização é hepática. Não há necessidade de ajuste de dose baseados na idade ou problemas renais. Deve-se, contudo, cuidar nos casos de pacientes com alterações nas enzimas hepáticas. Caso ocorra algum efeito colateral, este desaparece com a interrupção da medicação.

Nas mulheres, há contraindicação do uso em idade fértil, pelo risco de má formação na genitália externa dos fetos masculinos. Estudo realizado com 1mg de Finasterida versus placebo em 136 mulheres na fase de pós-menopausa com alopecia padrão feminino por 1 ano, não mostrou resultados estatisticamente significantes quando comparado os dois grupos. Em 2004 foi publicado outro estudo sobre o uso de Finasterida em 5 mulheres na pós-menopausa, porém com doses mais elevadas, de 2,5 a 5mg diários. Foram feitas avaliações fotográficas com 6, 12 e 18 meses, com resultados evidenciando melhora da queda dos cabelos e redução da calvície. Não foram observados efeitos adversos. Ainda não há indicação formal, ou seja, aprovação pelo FDA, para o uso da Finasterida em mulheres. Há necessidade de mais estudos, com maior amostragem e comprovação da eficácia do uso das doses mais altas da Finasterida em mulheres com APF. Na prática atualmente é muito usada a dose de 4mg/dia com boa resposta, principalmente quando associada à anticoncepcional oral.

(Por Maria Angelica Muricy)