Em outubro, o cirurgião plástico Dr. Carlos Eduardo Leão, natural do Espírito Santo e que desenvolveu carreira em Minas Gerais, foi eleito presidente da ABCRC para o próximo biênio – ele assume o cargo em fevereiro de 2019 e permanece até janeiro de 2021.

Médico egresso da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde se formou em 1980, cumpriu residência em Cirurgia Plástica em Belo Horizonte, onde se casou, constituiu família – tem três filhas mineiras – e tornou-se cidadão honorário de Belo Horizonte e de Minas Gerais.

Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Minas Gerais (SBCP-MG), é Membro Titular da SBCP e de suas correlatas internacionais, Membro Titular Fundador da Sociedade Brasileira de Queimaduras, Membro Titular da Academia Mineira de Medicina (Cadeira 13) e Membro Titular Fundador da ABCRC.

“Lembro aqui do Dr. Munir Curi, pioneiro da Restauração Capilar no Brasil e primeira mão estendida em minha formação como cirurgião de calvície”, comenta. “No futebol, divido meu coração entre o Fluminense e o Cruzeiro. Quando se cruzam, torço pra quem estiver pior na tabela. Ultimamente, o Flu. Já na política partidária, sou Bolsonarista convicto”, completa.

E sua personalidade? “Para aqueles que me conhecem menos, sou uma pessoa de posições firmes e transparentes. Digo sempre o que penso, sem rodeios, sem subterfúgios, mas sempre com respeito, educação e diplomacia no trato com meus colegas e amigos. Sou um político de classe nato e conceituo a política  como a arte da convivência pacífica com antagônicos de pensamento. O segredo da boa política em qualquer âmbito é ouvir, respeitar, ponderar e decidir. Sempre estatutariamente.”

 

Confira entrevista que Dr. Leão concedeu ao site da ABCRC.

 

Como o sr. avalia a trajetória de 15 anos da ABCRC?

Uma entidade de classe que cresce vigorosamente alicerçada em pilares científicos sólidos, respeito entre os seus pares e uma convivência muito harmônica entre nossas especialidades que, juntas, elevaram a Restauração Capilar a um patamar de excelência exigida pela medicina séria.

 

Quais suas expectativas para liderá-la? O que deve ser mantido e o que pode ser mudado?

A ABCRC precisa urgentemente de um viés político igualmente forte e consolidado. Tentaremos colocá-la no mapa político das especialidades constituídas. Uma vez reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como “campo de atuação” da Cirurgia Plástica e Dermatologia para depois tornar-se “Especialidade Médica”, estaremos cumprindo aquilo que elegemos como nossa bandeira. Para isso, contaremos com importante participação da SBCP nas pessoas dos Drs. Niveo Stefen e Denis Calazans, que se propuseram a nos ajudar junto ao Conselho, emprestando a grande penetração, prestígio e respeitabilidade que possuem na entidade.

Outra grande expectativa da nossa diretoria é divulgar à opinião pública o caráter reconstrutor da Restauração Capilar através de mutirões, durante nossos eventos,  para tratamento das mais variadas lesões dos segmentos capilares, beneficiando pacientes sem condições socioeconômicas. Isso referenda a especialidade como necessária, emociona o grande público e nos confere respeitabilidade e admiração da população que não sabe desse extraordinário potencial que todos temos. É a nossa contrapartida social pelo crescimento que todos tivemos nesses anos prósperos da ABCRC.

Um dos nossos grandes compromissos nesta gestão é tornar o nosso O Folículo uma revista bilíngue para colocarmos no mundo a ciência aqui professada. Para isso, contaremos com a inquestionável competência e expertise do Dr. Henrique Radwanski. Esperamos um Congresso Brasileiro de grande repercussão e rico cientificamente. Pela incontestável experiência e competência do Chairman, Dr. Marcelo Pitchon, e pela riqueza e peso científico representados pelos não menos brilhantes Drs. Fernando Basto e Ricardo Lemos na Comissão Científica, o sucesso do evento garante-se irreversivelmente.

 

Profissionais da Restauração Capilar enfrentam inúmeros desafios hoje no mundo todo, especialmente a concorrência desleal e injusta com serviços baratos, feitos por não médicos. O que o sr. acha que pode ser feito para, ao menos, amenizar essa situação?

Depende de nós. O FUE é, indiretamente, o grande responsável pelo caos que vive a especialidade no mundo. Não falo da técnica em si, comprovadamente excelente, com o seu lugar garantido na cirurgia do cabelo. Falo das propagandas enganosas incentivadas por um apelo comercial sem precedentes na história da Medicina, inclusive com palestras em nossas salas científicas totalmente investidas de interesses comerciais explícitos. Falo de uma pretensa facilidade de execução, recuperação e resultado que levou a uma invasão desmedida e irresponsável de profissionais não médicos e médicos de outras especialidades, sem o menor preparo técnico. Falo do “estelionato científico”, iludindo a fé pública com conceitos equivocados, imorais e antiéticos. Falo até mesmo de alguns poucos membros da ABCRC que ainda insistem na maldita propaganda de “técnica sem corte e sem cicatriz”. Hoje o mundo da Restauração Capilar se vê refém de sua própria armadilha. Para amenizar essa situação, devemos fazer uma mea culpa e restaurarmos a verdade sobre FUT e FUE. FUT é para os diferenciados, para cirurgiões treinados, equipe técnica afinada que fazem, com igual destreza, a minuciosa, complexa e elaborada tática FUE. É nesse grupo que nos encontramos e é isso que devemos propagar.

 

A tecnologia e novas técnicas revolucionaram a Restauração Capilar nas últimas décadas. Qual será o próximo passo? O que acha que vem por aí?

Confesso que não sei mais se para o bem ou para o mal. Embora o FUE tenha se consolidado como tática sem volta na Restauração Capilar, a maneira como foi divulgado, quase que imposto e revestido de interesses comerciais, vorazes, escusos e irresponsáveis, trouxeram à reboque um grande problema de invasão de especialidade mundo afora. Mão de obra cara na Europa e Estados Unidos fizeram com que reconhecidos profissionais da área, numa tentativa de diminuírem custos em tempos sérios de crise, migrassem de armas e bagagem para o FUE que não exige grandes equipes. Para se manterem no topo, endeusaram o novo recurso difamando o outro. E deu no que deu.

A robótica na Restauração Capilar ainda é algo que precisa evoluir e é ainda uma grande incógnita dentre os mais destacados especialistas do mundo.

Os avanços em procedimentos ancilares não invasivos e novos medicamentos marcaram também essa grande evolução nos últimos anos. A pesquisa e a evolução genética nos estudos do cabelo marcarão a próxima década.

 

A ABCRC representa o Brasil nas principais sociedades da área no mundo. Qual a importância dessa integração entre países?

O Brasil é um celeiro de excelentes profissionais na Restauração Capilar que, pela competência, técnica e conhecimento científico, ganharam, merecida e definitivamente, a respeitabilidade internacional. Termos o Dr. Arthur Tykocinski, presidente da International Society of Hair Restoration Surgery (ISHRS), prova suficiente de prestígio do Brasil que começou com o Dr. Marcelo Gandelman, ex-presidente da mesma entidade e o grande desbravador de nossas fronteiras internacionais.

 

Aos jovens profissionais, que conselho poderia fornecer? Qual a melhor forma de iniciarem e conduzirem suas carreiras médicas?

O segredo do sucesso, latu sensu, é ter, aguçada, uma das maiores virtudes humanas: a paciência. Saibam esperar. Não atropelem. Não tenham pressa. Perseverem. Confiem. O sucesso é uma questão de tempo. E ele chega pra todos.