A cerimônia oficial de abertura do evento ocorreu na quinta-feira, da 23, com a execução do hino nacional e as boas-vindas dos três principais profissionais envolvidos no Congresso.

 

Parte dos congressistas e professores se reúnem para a foto

 

Inicialmente, Dr. Mauro Speranzini, presidente da ABCRC, lembrou que a entidade completa 15 anos e, para este momento tão grandioso, não poderiam escolher um local mais apropriado do que Foz do Iguaçu, que abriga as Cataratas, patrimônio natural da humanidade desde 1986.

“Hoje há muitos congressos realizados todos os anos, então por que escolher vir ao Brasil? Somos o terceiro grupo mais numeroso na International Society of Hair Restoration Surgery (ISHRS) em número de médicos, nossos associados ocupam os cargos mais importantes de diversas das sociedades internacionais e sempre temos eminentes profissionais estrangeiros aqui, que vêm e retornam, porque veem valor, valorizam o conteúdo”, afirmou.

Ao que Dr. Antônio Ruston, presidente do Congresso, completou: “Quando formamos a ABCRC, o brasileiro tinha duas possibilidades: frequentar aqui ou ir ao congresso da ISHRS. Hoje, temos um ou dois eventos por mês, e torna-se impossível estar em todos. As pessoas têm que escolher, e agradeço a vocês por nos escolher”.

Diretor científico da Associação, Dr. Henrique Radwanski disse: “Agradeço a colaboração de todos que prepararam o programa científico; temos um painel completo a oferecer sobre transplante capilar. Queremos trazer temas em que as duas técnicas sejam igualmente valorizadas. Começamos ontem com o Curso Básico, que foi muito proveitoso”.

 

A primeira conferência do dia foi proferida pelo Dr. Russell Knudsen, da Austrália, intitulada A Virtude da Versatilidade: “É meu terceiro congresso aqui no Brasil, adoro vir aqui, pois é inspirador falar para uma audiência tão atenta e interessada. Fiquei feliz pelo fato de o Congresso abordar as duas técnicas, FUE e FUT”.

Dr. Russell-Knudsen

Em sua aula, abordou as técnicas para restauração capilar, a evolução dos novos tratamentos, discutiu quem é mais e menos indicado para a FUE, relacionou aspectos negativos e positivos do planejamento da FUE, suas vantagens e desvantagens e falou também sobre micropigmentação do couro cabeludo.

 

FUE e FUT totalmente cobertas

O dia transcorreu com a apresentação de sete painéis, dos quais participaram professores brasileiros e estrangeiros:

  • Tratamento e Diagnóstico da Alopecia;
  • Fundamentos I e II;
  • Conceitos Artísticos;
  • FUT: Princípios;
  • FUE: Princípios;
  • Ideias e Inovações.

O fim da manhã foi marcado pela Sessão Vídeos: Como eu Faço de A a Z.

Além da conferência apresentada pelo Dr. Knudsen, houve também uma apresentada pelo Dr. Jerry Wong, do Canadá – De Strips para FUE: Minha Evolução Pessoal na Restauração Capilar – e a terceira pelo Dr. Maurice Collins, da Irlanda – Ergonomia e Instalações em FUT.

 

A visão dos professores estrangeiros

O evento recebeu, nesta edição, 15 profissionais renomados do exterior – Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, Irlanda e Israel.

Confira as impressões e posicionamento deles quanto às técnicas FUE e FUT.

 

“Acho que as pessoas estão entregando neste congresso descrições, explicações e abordagens de altíssimo nível.

Sobre o paciente jovem, apesar de ser mais seguro não operá-lo, nós escolhemos a Medicina para ajudar as pessoas – então, se realmente podemos ajudá-lo fazendo a cirurgia em adição à terapia médica, nós o educamos e tomamos uma abordagem mais conservadora. Vamos ajudar, dando-lhe a virada mais importante de sua vida, ao se sentir bem pelo modo como aparenta.

Sobre o tema do evento, acredito que um bom cirurgião tem que ser capaz de oferecer as duas técnicas, se sentir confortável com as duas e usar cada uma no momento certo. Dependendo das tendências e do paciente, uma técnica acaba se sobressaindo, e depois a outra, mas nenhuma delas vai desaparecer.”

Dra. Robin Unger, Estados Unidos

 

 

“A qualidade das apresentações é muito alta. Já vi o restante do programa e está fantástico. Estive aqui há dois anos, em Curitiba, e foi a mesma coisa – há muito a ser dito sobre transplante capilar, especialmente neste congresso, que é um dos melhores.

Sobre os pacientes mais jovens, penso que é muito importante estar próximo deles, conhecê-los, antes mesmo de propor qualquer tipo de tratamento, e, se forem muito jovens, talvez seja melhor esperar um pouco e adiar o tratamento cirúrgico, exceto nesses casos mais sérios de depressão, em que realmente precisamos dar uma contribuição à família.”

Dr. Emorane Lupanzula, Bélgica

 

 

“É a terceira vez que venho ao Congresso Brasileiro de Restauração Capilar – estive em Maresias e em Curitiba –, e estou muito fascinado, porque o nível das aulas é muito alto, a qualidade é ótima, e também temos a chance de encontrar muitos amigos. Há a parte científica, mas há também a de integração, amizade, e até a possibilidade de fazer novas amizades com pessoas de diversas regiões. Aqui, já me sinto como se estivesse em casa.

Faço transplante capilar há 26 anos e hoje diria que são 80% FUE e 20% FUT. Acho que os dois são bons, cada um tem suas vantagens e desvantagens. Hoje, a demanda maior por FUE vem dos pacientes mais jovens. Porém, é importante que o profissional domine as duas técnicas, porque um especialista tem que saber tudo; só assim, ele conseguirá definir o melhor tratamento para aquele caso específico.”

Dr. Alex Ginzburg, da Argentina, mas que atua em Israel há 30 anos

 

 

“Achei as palestras realmente muito boas, e fiquei encantado em ver que as discussões incluíram FUT e FUE. Acho que tem muita gente fazendo FUE muito mal, ganhando péssima reputação, a área doadora termina rapidamente e, com o tempo, você precisará da FUT – é um círculo.

Se você fizer FUE em um jovem, e ele voltar a perder cabelo, ele tem a opção de recorrer à área doadora – você não causou nenhum prejuízo a ele. Em jovens, por volta dos 20 anos, eu só faço FUE, pois não é maduro fazer FUT. Ao fazer FUE primeiro, você deixa a porta aberta, você poderá raspar a cabeça dele e seguir em frente. A ideia é realmente, com o tempo, combinar as duas técnicas.

Há algumas semanas, estive em Lisboa para falar em um congresso de FUE, e John Cole disse que a FUT estava morta. Isso não é certo. Se você só fizer FUE, você não vai ter o que colher e vai deixar muita coisa pra trás. Quando olho para outros países, acho que a experiência brasileira é mais equilibrada. Alguns países enlouqueceram a conta da FUE. Há casos terríveis advindos da Turquia, pacientes com lesões e cicatrizes terríveis.

Já tinha vindo ao Brasil há alguns anos, para participar de uma conferência em Minas Gerais, convidado pelo Marcelo Pitchon. O tempo estava horrível – até parecia a Irlanda – mas o calor do povo brasileiro compensa!

Dr. Maurice Collins, Irlanda

 

As vítimas do turismo médico

A quinta-feira terminou com o debate Lidando com o Paciente Vítima de Turismo Médico, moderado pelo Dr. Arthur Tykocinski.

Dr. Alejandro Chueco, da Argentina, contou experiências nesse âmbito – definiu o turismo médico e listou alguns destinos principais, como Brasil, Polônia, Rússia, Turquia, Índia. “Isso existe porque, em alguns países, há procedimentos que não estão disponíveis ou que são ilegais – ainda, há a questão de custos mais baixos”, frisou.

Em 2017, o mercado mundial de transplante de cabelo valia 5 bilhões de dólares, e a previsão é que ele exceda 24,8 bilhões em 2024.

Como lidar com o paciente vítima disso? “Assim como o mercado, o turismo também crescerá”, ponderou Dr. Chueco.

“Os resultados ruins generalizados começarão a denegrir o setor do transplante capilar como um todo”, afirmou Dr. Arthur.

Dr. José Rogério Régis Jr. lembrou que esse paciente, nem sempre, é vítima: “Ele sabe muito bem o risco que está correndo. A ISHRS tem um programa de restauração pro bono – eles pegam casos emblemáticos, restauram e divulgam o que foi feito”.

Dr. Carlos Alberto Calixto levantou o que seria uma injustiça nessa competiação: “Somos proibidos de exibir o pré e o pós-operatório, então não conseguimos divulgar o nosso trabalho. Acredito que o Departamento Jurídico da ABCRC deveria buscar tentar bloquear os vídeos e propagandas do exterior nas redes sociais”.

Dr. José Cândido Muricy disse que, nos últimos 45 dias, recebeu dois pacientes relacionados ao turismo médico: “Um veio perguntar o que eu achava da ida dele para operar na Turquia, e consegui demovê-lo da ideia. O segundo veio da Turquia com dez dias de pós-operatório e estava se queixando de diversas intercorrências – não atendemos; dissemos para ele voltar a Istambul. O papel das sociedades médicas é informar positivamente nossos pacientes dos riscos de ir para uma situação dessa, falar das complicações”.

Dr. Speranzini explicou que muito disso já foi feito pela ABCRC: “Contratamos um ator e gravamos vídeos com focos diferentes falando dos riscos; os vídeos estão no site e nas redes sociais. O que falta, talvez, é potencializar a divulgação e fazer mais vídeos, também com depoimentos. Por exemplo, poderíamos chamar esse paciente dispensado, resolver o problema dele e pedir um depoimento para ser divulgado, precisamos trabalhar com informação – é a única forma de combater”.

Dr. Carlos Eduardo Leão reforçou a ideia trazida pelo Dr. Régis: “Se tivermos um paciente não satisfeito, que se deixe fotografar, mostrar as graves sequelas feitas em outro país, isso emociona as pessoas. Precisamos fazer mutirões para resolver sequelas sem custos – vamos, assim, consertar as tragédias e mostrar o que isso representa para a população”.

 

Homenagens entregues

Aos fundadores da ABCRC
Dr. Carlos Eduardo Leão
Dr. Fernando Basto Jr.
Dr. Marcelo Gandelman, representado pelo Dr. Sandro Salanitri
Dr. José Cândido Muricy

Aos ex-presidentes da ABCRC
Dr. Marcelo Gandelman
Dr. Marcelo Pitchon
Dr. Fernando Basto Jr.
Dr. Ricardo Lemos
Dr. José Cândido Muricy
Dr. Mauro Speranzini

Aos palestrantes estrangeiros
Dr. Alejandro Chueco
Dr. Alex Ginzburg
Dr. Emorane Lupanzula
Dr. Jae Park
Dr. Jerry Cooley
Dr. Jerry Wong
Dr. Luís Roberto Trivellini
Dr. Maurice Collins
Dr. Paul Rose
Dr. Robert Haber
Dra. Robin Unger
Dr. Ronald Shapiro
Dr. Russell Knudsen
Dra. Sara Salas
Dr. Sebastian Yriart

 

Fundadores da ABCRC, seus ex-presidentes e professores estrangeiros foram homenageados

 

 

• Veja as fotos do evento em nossa página no Facebook.